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SÍRIA E A PRIMAVERA ÁRABE

Por Adnan El Sayed e Ali Chams * 

“Como vocês esperam que eu sobreviva?” foram as últimas palavras de Mohamad Bouazize, um jovem tunisiano vendedor de frutas que ateou fogo em si mesmo na frente da prefeitura de sua cidade, quando confiscadas suas mercadorias por um fiscal do governo. A condição de Bouazize sintetiza a situação da população do Oriente Médio, que sobrevive há décadas sob repressão social, econômica e política. A autoimolação do jovem trabalhador foi a gota d´água para a eclosão das tensões até então repreendidas, o que revelaria uma crise de legitimidade das ditaduras locais, derrubando os governantes da Tunísia e do Egito e incendiando gigantescas revoltas no Bahrein, Iêmen e outros países. Chamada de Primavera Árabe, esta onda de levantes populares não foi guiada por uma ideologia específica, mas constituiu-se simplesmente na manifestação espontânea desta massa oprimida.

Se o principal caráter deste fenômeno é de ordem socioeconômica, o caso sírio mostra-se distinto. Desde o ano 2000, quando Bashar Al Assad toma posse sinalizando maior abertura econômica e política baseado num discurso de construção de um ideal nacional de desenvolvimento, o país vive um período de prosperidade econômica com distribuição dos benefícios à população. Sem isentar o país de seus problemas econômicos – como o êxodo rural, que propiciava o inchaço e desemprego urbanos –, as políticas do país levaram ao crescimento do comércio e desenvolvimento industrial que, acompanhados de políticas públicas, ampliaram o acesso à educação, saúde e demais benefícios sociais.

Manifestações pacíficas, reduzidas em relação às que ocorreram nos países citados, reivindicavam, na Síria, a aceleração do processo de construção civil através das reformas políticas. A inteligência política e o pensamento pragmático de Assad mostraram-se eficientes para com a população, ao responder de forma positiva às legítimas demandas de seu povo, propondo alteração na Constituição – no que diz respeito às eleições, liberdade dos partidos e um governo multipartidário – , anulando o estado de exceção que até então vigorava e convocando todos os grupos de oposição para um diálogo de união nacional, que discutiria o futuro político da nação.

As reformas constitucionais foram aprovadas através de um referendo, iniciando-se, então, um processo de transformação rumo às aspirações democráticas da população. Enquanto os sírios se organizavam politicamente para este avanço civil, Estados Unidos, Turquia e Arábia Saudita tentaram se aproveitar desta onda de protestos regionais para fomentar grupos armados na Síria através de envio de armas, treinamento, logística e, principalmente, envio de dezenas de milhares de mercenários e grupos extremistas provenientes de diversos países fronteiriços, no intuito de causar uma guerra civil e inflamar o discurso sectário.

A falta de resultados favoráveis satisfatórios aos “rebeldes”, após dois anos e meio desta guerra imposta, levaria os Estados Unidos a repensarem suas estratégias. Um ataque militar à Síria era agora uma opção sobre a mesa. A justificativa dos EUA de que Bashar teria ultrapassado a “linha vermelha” utilizando ataque químico foi recebida com extrema desconfiança pelo mundo, tanto pelo histórico do país em alegações falsas quanto pela análise dos cientistas políticos, que minimizam a possibilidade de o governo ter sido o autor do ataque pela posição de avanço estratégico que suas tropas se encontram em relação aos “rebeldes”. A ONU solicita permissão síria para investigar a autoria do ataque caso confirmado o uso do material, solicitação aceita em menos de 24 horas pelo país.

A insistência de ataque militar dos EUA antes do resultado desta investigação mostrou-se incoerente. Mais incomum foi o relatório final desta comissão investigadora, publicada em 16 de setembro, o qual indicou simplesmente que “sim”, foram utilizadas armas químicas. Parece ter logrado a pressão dos EUA à ONU para que limitasse os objetivos de sua missão, retirando de sua pauta investigativa a autoria, a forma e a procedência do ataque. Contudo, uma das investigadoras da ONU, Carla Del Ponte, já havia declarado que “rebeldes” usaram armas químicas.

A política estadunidense, que apóia os regimes monárquicos mais retrógrados e antidemocráticos como Arábia Saudita, os grupos extremistas como Jabhat Nusra, na Síria (ligada a Al Qaeda) e lança ataques químicos e nucleares contra os povos do mundo (japoneses, palestinos, iraquianos, etc), tenta convencer o mundo que é a favor da democracia, liberdade e contra o terrorismo e as armas químicas. Logicamente, os reais motivos são geopolíticos, pois a soberania política e econômica da Síria, que escolhe não ser submissa ao “ocidente” e ser o único país árabe que apóia a causa palestina, não poderia ser tolerada pela política americana.

Hoje, o mundo desperta e a solidariedade dos povos se fortalece. Os meios de comunicação virtual são utilizados de forma inteligente por mídias independentes na difusão das verdades até então ocultadas. É nosso dever estar ao lado do povo sírio e de sua soberania, pelo fim desta guerra fabricada e construída de fora para dentro, pela expulsão dos “combatentes” estrangeiros e pela retomada do processo político pacífico rumo a sua própria construção civil e sociológica.

* Adnan Abdallah El Sayed (Mestre em Economia do
Desenvolvimento -UFRGS) ; Ali Chams (graduado em RI, Faculdades Integradas Rio Branco

 

 

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