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A ÂNSIA DESTRUTIVA DO WAHABISMO

Por Pedro Ravazzano

Desde o séc. XVIII, quando  Muhammad ibn Abd al-Wahhab, fundador da seita wahabita, aliou-se com Muhammad bin Saud, no acordo de Diriyah, que “saudismo” se tornou em sinônimo de “wahabismo” e, portanto, de fundamentalismo. Com a queda do Império Otomano e a criação do Sultanato do Nejd, em 1921, a Casa Saud iniciou o seu expansionismo no território da península, tendo como pretensão a união de todos os árabes sob a égide do “verdadeiro islã”. Em 1925 Abdul Aziz Ibn Saud invade e submete o Reino do Hijaz, proclamado em 1916 e encabeçado por um soberano avesso ao fundamentalismo. A Inglaterra, que gerenciava os movimentos de libertação no Oriente Médio, nada fez para salvar a península do wahabismo de Ryad. Em 1932 nasce, oficialmente, o Reino da Arábia Saudita. Com a independência do Catar, em 1971, este se torna no segundo país oficialmente wahabita do mundo.

A Arábia Saudita e mais recentemente o Catar são dois exportadores do fundamentalismo islâmico. A interpretação dada pelo wahabismo ao islã foi sistematicamente influenciando países pobres, que necessitavam do apoio financeiro oriundo dos petrodólares da península. Ainda gozando dos benefícios da globalização são arautos do anacronismo. Ryad e Doha conseguiram criar um sistema autocrático onde as minorias religiosas são lançadas na ilegalidade e as mulheres são cidadãos de segunda classe ao mesmo tempo em que forjam uma sociedade materialmente rica e moderna. As relações entre sauditas e o Talebã, no Afeganistão, eram estreitas, assim como o interesse recente do Catar em apoiar financeiramente ao Hamas. Ademais, não apenas os não-muçulmanos são vítimas do wahabismo. Na península arábica, com a consolidação do poder saudita, o xiismo foi perseguido e tornado ilegal. A visão fundamentalista da tradição ainda estimulou a destruição de diversos lugares sagrados, como o cemitério de Al-Baqi, em Medina, e Mesquitas que abrigavam túmulos de familiares e companheiros de Muhammad.

Antes do advento do estado saudita, os muçulmanos da península praticavam diversos atos de devoção comuns em grande parte do mundo islâmico. Celebrações em honra a Muhammad, sua família e companheiros, visitação de templos, tumbas e lugares sagrados conectados com a história nascente do islã. Contudo, os ulamas wahabitas consideravam manifestações de superstição e heresia que necessitavam de purificação.

A medida mais eficiente adotada foi o fim dos destinos da piedade. Além da destruição do cemitério de Al-Baqi, em 1925, os sauditas demoliram as tumbas dos "mártires da batalha de Uhud", a mesquita de Fatimah Al-Zahra, onde repousava a filha de Muhammad, e diversos outros túmulos de familiares e companheiros de Maomé. Pretendiam destruir o próprio túmulo de Muhammad, mas depois de críticas preferiam apenas despojá-lo de todos os ornamentos. Em Meca fizeram o mesmo, dinamitando tudo o que havia no cemitério Al-Ma’ala, inclusive a tumba da primeira esposa do profeta do islã, Khadija bint Khuwaylia. Ademais, nos primórdios do expansionismo, quando os sauditas capturaram as cidades sagradas xiitas de Karbala e Najaf, no Iraque, massacraram a população local e derrubaram a mesquita construída sobre o túmulo de Hussein ibn Ali, neto de Maomé e terceiro imam do xiismo.

O complexo destrutivo se mantém até os dias de hoje. Como parte do projeto de expansão da Al-Majisd al-Nabawi, em Medina, os sauditas pretendem destruir três outras mesquitas sagradas. Em Meca, para a construção de torres com hotéis, apartamentos e shoppings, dinamitaram diversos lugares santos e históricos. A casa de Khadija foi demolida para a construção de lavatórios públicos, a casa de Abu Bakr, companheiro de Muhammad e primeiro Califa, deu espaço para o Hilton e a Mesquita de abu-Qubais foi demolida para a construção do palácio real.

A recente destruição de imagens milenares da civilização assíria pelo ISIL, no Iraque, assim como a demolição do buda de Bamiyan no Afeganistão, pelo Talebã, apenas reflete o anacronismo do fundamentalismo islâmico iniciado na Arábia Saudita. Hoje, em Meca, só restam 20 estruturas que remontam aos tempos de Muhammad. Se nem mesmo a própria - e verdadeira - tradição é protegida, quanto mais a riqueza histórica e civilizacional de outros povos e crenças.

 

 

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Jumada Athani de 1438





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