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Do livro

A Doutrina do Islam Shi’ah

 

As provas da necessidade da profecia

Qüinquagésimo quarto artigo:

O envio dos mensageiros divinos para guiar e encaminhar.

 

Deus, o Prudente, elogiou a alguns homens probos para guiar e orientar à humanidade, fazendo-os responsáveis de fazer chegar Sua mensagem a todos os membros da espécie humana. Estes homens são os profetas e mensageiros por cujo meio fluiu a graça da guia de parte de Deus, Glorificado Seja, a Seus servos.

Essa graça bendita começou com a revelação de parte de Deus, desde que o gênero humano chegou a estar preparado para aproveitar-se dela, até a época do Grande Mensageiro do Islã (S.A.W.).

Devemos saber que a religião de cada um dos profetas se considera como a mais completa em relação a sua época, e sua legislação como a mais íntegra. Se essa graça divina não se tivesse prolongado, a humanidade não tivesse atingido seu nível de perfeição.

Desde que a criação do ser humano conforma um ato de Deus, o Prudente, então necessariamente isso tem um objetivo, um propósito, e considerando que a constituição humana, além dos instintos que lhe são comuns com os animais, está composta de intelecto e razão, então sua criação necessariamente deve ter um propósito razoável e um objetivo lógico.

Por outro lado, se bem o intelecto do ser humano influi e inclusive é necessário para transitar o caminho da perfeição, não é suficiente para isso; e se em sua procura por orientação o ser humano se contenta com valer-se de seu intelecto e razão, nunca chegará a conhecer o caminho da perfeição de uma forma completa. Como exemplo mencionamos a questão da “Origem” (isto é, a crença em Deus) e o “Retorno” (isto é, a crença no Além), a qual conforma uma das questões mais importantes do pensamento humano. A humanidade quer saber de onde vem, por que vem e a onde vão; mas o intelecto e a razão por si só não brindam uma resposta correta e suficiente para esta questão. Um claro depoimento disso é que apesar de todo o desenvolvimento e progresso do que foi objeto nos âmbitos da ciência, ainda grande parte da humanidade continua adorando ídolos.

A impotência do intelecto e o conhecimento humano não se restringem ao tema da “Origem e o Retorno”, senão que o ser humano não pode eleger o caminho conveniente em muitos aspectos fundamentais da vida.

Os diferentes e contra-postos enfoques da humanidade em questões econômicas, morais, familiares e de outra índole, são um sinal de sua incapacidade para realizar um correto entendimento desses assuntos, e é por isso mesmo que vemos como surgiram escolas de pensamento contrapostas entre si.

Em consideração a tudo isto, o são raciocínio julga que, como o implica a Prudência Divina, devem ser enviados educadores e líderes divinos para que ensinem à humanidade (a senda reta na vida)o reto caminho da vida.

Aqueles que supõem que as “indicações lógicas” podem suprir às indicações “celestiais” devem ter em conta duas coisas:

  1. O intelecto e a ciência humana são incapazes de lograr um conhecimento total do mesmo ser humano e do passado e futuro de sua marcha existencial, enquanto, em base ao juízo de que a cada faz­ dor conhece sua realização, o Criador do gênero humano está completamente informado do ser humano e suas diferentes dimensões e segredos existenciais. É a isto mesmo que se refere o Sagrado Alcorão quando diz:

 

«Não conhece Ele o que criou, sendo Ele o Onisciente, o Sutilíssimo?» [1]

 

  1. Já que o implica seu instinto de sobrevivência disposto em sua constituição, consciente ou inconsciente, continuamente se encontra procurando por sua conveniência pessoal, pelo que não pode ver-se completamente livre de considerar uma conveniência pessoal ou grupal em seus planos e projetos. Portanto, é natural que os planos humanos não podem ser catalogados como totalmente reunidos, enquanto que os programas dos Profetas e Mensageiros divinos, ao provir de parte de Deus, o Sapientíssimo, se encontram isentos de tal carência.

Considerando estes dois pontos pode-se dizer - em forma categórica - que a humanidade nunca foi, nem jamais será independente da orientação divina e os projetos dos profetas, senão que permanentemente necessita disso.

 

O Sagrado Alcorão e os Objetivos da Profecia

Qüinquagésimo quinto artigo:

O objetivo do envio dos profetas é o fortalecimento dos princípios da unicidade.

 

No artigo anterior nos familiarizamos com os indícios lógicos da necessidade do envio dos profetas. A seguir analisaremos a necessidade da profecia considerando os objetivos disso desde a perspectiva do Sagrado Alcorão e as nobres narrações, conquanto a análise do Alcorão a respeito é realmente um tipo de análise lógica.

O Sagrado Alcorão resume os objetivos do envio dos profetas nos seguintes assuntos:

1- Fortalecer os princípios da unicidade e repelir qualquer tipo de desvio a este respeito. Diz o Sagrado Alcorão:

«Por verdadeiro que enviamos a toda comunidade um mensageiro, de forma que (dissessem): Adorai a Deus e afastai-vos do Tagut!»[2]

Disse o Imam Amir Al-Mu’minin ‘Ali (A.S.) com respeito ao porquê do envio dos profetas:

“…Para que os servos conheçam a seu Senhor ao ter-lhe ignorado, para que lhe reconheçam depois de ter-lhe negado, e lhe aceitassem depois de terem lhe renegado...”[3]

2- Familiarizar às pessoas com os conceitos e mensagens divinas e com o caminho da autopurificação; é assim que diz:

«Ele foi Quem enviou, dentre os iletrados, um Mensageiro da estirpe deles, sabedoria, porque antes estavam em evidente erro»[4]

3- Estabelecer a Equidade na sociedade humana. É assim que expressa:

«Enviamos os Nossos mensageiros com as evidências: e enviamos, com eles, o Livro e a balança, para que os humanos observem a justiça...»[5]

É óbvio que estabelecer a equidade depende do fato que a gente conheça todas as dimensões e âmbitos da justiça, bem como também depende que isso se concretize através de um governo divino.

4- Julgar nos debates e solucionar as diferenças. Diz:

«A gente constituía uma só comunidade, logo Deus enviou aos profetas como alvíssaras e admoestador, e fez descer com eles o Livro mediante a verdade, para que julgasse entre a gente em aquilo no qual discrepassem»[6]

É evidente que as diferenças entre a gente não se restringem ao âmbito do doutrinal, senão que abarcam os diferentes assuntos da vida.

5- Proporcionar aos servos indícios suficiente que não deixe espaço para alegar pretexto algum:

«Foram mensageiros que deram boas notícias e fizeram  admoestações, para que os humanos não tivessem argumento algum ante Allah, depois do envio deles, pois Allah é Poderoso, Prudentíssimo.»[7]

Indiscutivelmente Deus, Glorificado Seja, tem um objetivo por trás da criação do ser humano, e esse objetivo só se concreta através da disposição de um completo programa para a totalidade dos assuntos da humanidade, e tal programa deve chegar a mãos da humanidade, de forma que se proporcionam às provas suficiente que não deixem lugar à desculpa para a gente, e nada possa dizer: “eu não conhecia o programa correto de vida”.

 

Qüinquagésimo sexto artigo:

As Vias para reconhecer aos Profetas

 

A natureza primitiva da humanidade julga que o ser humano não aceite sem provas nenhuma afirmação. Aquele que aceita algo ou o pressupõe sem provas, está contrariando sua natureza humana.

A afirmação de ser profeta é a maior invocação que pode realizar uma pessoa. É evidente que pára demonstrar tremenda pretensão deve expor provas contundentes a respeito. Essa prova pode ser uma das três questões seguintes:

1- Que tenha sido estipulado claramente por um profeta anterior cuja profecia tenha sido categoricamente estabelecida, bem como o Profeta Jesus (A.S.) anunciou e deu alvíssaras da profecia de Mohammad, o selo dos Profetas.

2- Que os diferentes sinais e evidências testemunhem a veracidade de sua prédica. É possível inferir esses signos e evidências através de: analisar a história de sua vida, o conteúdo de sua prédica, as personalidades que acreditaram em ele, e assim mesmo o método de sua prédica.

3- Apresentar milagres. Isto é, junto a sua invocação de ser profeta, tem de realizar um fato extraordinário e desafiar aos demais a realizar algo similar, e essa ação deve harmonizar com seu sermão.

As duas primeiras vias não são gerais, enquanto a terceira sim o é, e ao longo da história dos profetas, a humanidade se valeu desta via, e assim mesmo os profetas a usaram pára demonstrar seu sermão.

 

Qüinquagésimo sétimo artigo:

O vínculo lógico entre o sermão dos profetas e os milagres

 

Existe um vínculo lógico entre o milagre e a verificação da invocação de ser profeta, já que se é que aquele que apresenta o milagre é veraz em sua invocação, naturalmente se verifica seu assunto; e supondo que enquanto ao invocar a profecia, não seria congruente que Deus, o Prudente, Quem se preocupa pela guia de Seus servos, fornecesse a capacidade de realizar milagres a quem falsamente invoca a profecia, já que dessa maneira a gente acreditaria nele ao observar seu poder de realizar algo extraordinário e atuaria com base a suas palavras, pelo que isso arcaria o extravio da gente, e sem lugar a dúvidas isso contrariaria a Justiça e Prudência divina.
Esta questão conforma o tema de uma das derivações do tópico do “racionalmente bom e mau”, o qual já foi tratado antes.

 

Qüinquagésimo oitavo princípio:

A diferença entre o “milagre” e o “dom” ou “carisma”

 

A realização de um ato surpreendente associado à invocação de ser profeta e ao fato de que harmonize com isso, recebe a denominação por milagre “” (mu‘jizah). Mas se um ato surpreendente surge de um servo virtuoso de Deus que não invoca a profecia, isso se denomina “carisma” (kará­mah).

Depoimento de que servos virtuosos de Deus - os profetas podem realizar atos extraordinários, é a descida de uma mesa servida desde os céus para Maria (A.S.), bem como o traslado do trono da rainha de Saba num só momento desde o Ye­men até Palestina, realizado por Ásif Ibn Barjiá, um dos mais expoentes companheiros do profeta Salomão (A.S.). O Sagrado Alcorão informou a respeito desses dois acontecimentos. Com respeito à Maria (A.S.) diz:

«Cada vez que Zacarias chegava a vê-la no nicho (do templo) encontrava com ela alimento. Disse: “Oh Maria! De onde vem isto?” Disse: “Prove de Deus!”»[8]

Com respeito ao trono do reino Balquís diz o seguinte:

«Disse aquele que possuía um conhecimento do Livro: “Eu te trarei em menos tempo que um abrir e fechar de olhos! E quando (Salomão) viu o trono ante ele, disse: Isto provém da graça de meu Senhor...”»[9]

 

Qüinquagésimo nono artigo:

A diferença entre os milagres e a bruxaria

 

A diferença entre o milagre e qualquer outro ato extraordinário se resume nos seguintes pontos:

1- Não é viável de ser aprendido ou ensinado: O possuidor do milagre o realiza sem tê-lo aprendido, enquanto os demais atos extraordinários são produto de uma série de ensinos e exercícios.

Depois de decorrer o período de sua juventude, o Profeta Moisés (A.S.) voltou A Egito. No meio do caminho recebeu a profecia e lhe foi dito: “Oh Moisés! Jogue teu cajado”, e eis que seu cajado se converteu numa grande serpente, de maneira que o mesmo Moisés se assustou por isso. Também lhe foi dito: “Introduza tua mão em teu peito” e quando a sacou eis que iluminava intensamente, de forma que deslumbrava os olhos.

2- Não é viável de ser contraposto: Isto é assim já que o milagre surge do Poder Absoluto e Infinito de Deus, pelo que é impossível que outra coisa se lhe contraponha, ou que se possa realizar algo semelhante; enquanto é possível enfrentar a bruxaria e a prestidigitação, e outras coisas similares que realizam aqueles que com a prática chegam a realizar coisas surpreendentes; e isto é assim já que surge do poder humano limitado e extinguível.

3- O desafio: O que apresenta o milagre desafia aos demais a que o confrontem com algo semelhante, enquanto é possível confrontar e apresentar algo semelhante ao que realizam quem praticam a bruxaria e aqueles que mediante exercícios austeros chegam a realizar atos surpreendentes (como os faqui­rês da Índia). Não fazem tal desafio, já que é possível confrontar-lhes apresentando algo semelhante.

4- Não é limitado a um tipo de ato em particular: Os milagres dos profetas (A.S.) não se restringem a um ou dois tipos, senão que são tão diferentes e variados, que não é possível assinalar um denominador comum entre os mesmos.

Por exemplo, que tem que ver o fato de arrojar uma bengala e convertê-lo numa serpente com introduzir a mão no peito e sacá-la branca e resplandecente? Assim mesmo, que têm que ver estes dois milagres com o fato de fazer brotar a água das pedras mediante o golpe de uma bengala? Em que se relacionam os milagres mencionados com separar as águas do mar e abrir caminhos secos no mesmo com o só golpe de uma bengala?
Lemos que Jesus (A.S.) fez do barro a forma de um pássaro, depois soprou nela e, com a anuência de Deus, se converteu num pássaro real. Assim também lemos que ele curava aos cegos e aos leprosos com o mero fato de passar a mão por seus rostos, que revelava o que a gente acumulava em suas casas, e muitos outros milagres.

5- Fundamentalmente, aqueles que fazem milagres e são dotados de carisma, se diferenciam dos feiticeiros que realizam coisas insólitas, quanto ao objetivo e a espiritualidade. O primeiro grupo se propõe objetivos transcendentes e preciosos propósitos, enquanto o segundo grupo se propõe objetivos mundanos. Naturalmente, os dois grupos se diferenciam em no que faz à moral.

 

 

A Revelação e a Profecia

Sexagésimo artigo:

O vínculo entre o profeta e o mundo do Além.

 

No artigo anterior deixamos claras as vias para reconhecer ao profeta verdadeiro e distinguí-lo dos que falsamente invocam a profecia. Agora devemos estudar a via por meio da qual os profetas se comunicam com o mundo celestial, isto é, a forma em que se produz a “revelação”.

A revelação, a qual é a via mais importante mediante a qual o profeta se comunica com o mundo celestial, não se origina do instinto ou do intelecto, senão que é um conhecimento especial que Deus, Glorificado Seja, provê aos profetas em particular, para que anunciem as Mensagens divinas à humanidade.

O Sagrado Alcorão descreve a revelação dizendo:

«O fez descer o espírito fiel (Gabriel) * sobre teu coração…»[10]

Este versículo nos expõe que o conhecimento que os profetas possuem das mensagens divinas não são produtos da utilização de meios como os sentidos exteriores ou algo similar, senão que é o Anjo da Revelação o que o faz descer sobre o coração do profeta.

Em base a isto, não é possível analisar a realidade da revelação com os critérios normais. Em realidade, a descida da revelação é uma das manifestações do mundo celestial no qual se deve ter fé, apesar de que não tenhamos em claro a realidade desse fenômeno; como diz o Sagrado Alcorão:

«…Que crêem no desconhecido,…»[11]

 

Sexagésimo primeiro artigo:

A revelação não é produto da genialidade e raciocínio particular dos profetas.

 

Aqueles que querem comparar todas as coisas e explicá-las mediante os critérios mundanos e os meios sensoriais, e que pretendem verter as realidades celestiais em moldes sensoriais, explicam o fenômeno da revelação de diversas maneiras, todas elas falsas segundo nossa perspectiva. A continuação avaliará essas explicações e análises desde diferentes pontos de vista:

1- Há um grupo que considera aos profetas como talentosos gênios da humanidade, e consideram a revelação como resultado de seu raciocínio pessoal, e produto da atividade de seus sentidos internos. Para este grupo, a realidade do “espírito fiel” é o “espírito” desses brilhantes talentos e suas puras e elevadas almas, e assim mesmo as escrituras celestiais não são mais do que seus próprios pensamentos e noções elevados.
Este tipo de interpretações e análise do fenômeno da revelação, nada mais é do que o deslumbre pela moderna ciência experimental a qual só se baseia nos métodos sensoriais como meio para explicar as realidades da existência. O grande problema desta hipótese é sua contraposição ao dito pelos profetas e mensageiros divinos. Sobre dita base, a interpretação anterior implica atribuir a mentira aos profetas, e isso é algo que não é próprio de sua elevada posição e digna hierarquia, honestidade e virtude que a história credenciada nos transmite.
Em outras palavras, os reformadores se dividem em dois tipos: reformadores que atribuem seus programas a Deus, e reformadores que os atribuem a si mesmos e os expõe ante a sociedade como se isso fora o produto de seu próprio intelecto e raciocínio. Pode chegar a ser que ambos tipos sejam honestos e se caracterizem com a veracidade e o bem. Assim, não é possível considerar estes dois tipos de pessoas reformadoras como um só.

2- Partindo da mesma motivação mencionada na hipótese anterior, há outro grupo que considera a revelação como produto da manifestação de estados espiritual no profeta. Segundo este grupo, por causa de sua fé e temor a Deus, e em base à abundante adoração do profeta a Deus, este atinge um grau no qual encontra em si mesmo uma série de realidades elevadas e se imagina que lhe foram prover de um mundo oculto, sendo que essas realidades que tem adquirido não surgem mais do que de seu interior. Os que sustentam esta hipótese dizem: “Nós não duvidamos em absoluto da veracidade dos profetas, senão que cremos que eles advertiram elevadas realidades, só que o ponto de discussão é a fonte dessas realidades elevadas. Desta maneira, os profetas imaginam que a fonte dessas realidades é o mundo do oculto, o qual se encontra fora do mundo material, enquanto a fonte disso são eles mesmos e não outra coisa.”

Esta hipótese, não é totalmente nova, senão que em realidade é uma renovada proposta de uma das hipóteses sobre a revelação que era proposta na época pré-islâmica, só que apresentada numa nova roupagem.

O que esta hipótese conclui é que a revelação não é senão produto da imaginação e reflexão dos profetas e seu aprofundamento em suas próprias almas, e por causa de meditar muito em Deus, adorar-lhe e pensar na reforma de sua comunidade e chegados, eles têm materializado essas realidades adiante de seus olhos, e supuseram que isso lhes foi inculcado de um mundo oculto.[12]
De alguma forma, esta é a mesma conjectura sobre a revelação dos árabes pré-islâmicos da época da ignorância, que diziam:

«…Porém afirmam: è uma mistura de sonhos!...»[13]

O Sagrado Alcorão refuta essa hipótese com veemência, e põe ênfase no fato de que o Profeta (S.A.W.) é veraz em sua invocação e sua visão do Anjo da Revelação, e que não se equivocam nem seu coração nem sua vista; diz:

«O coração não desmentiu o que viu»

 

«Não se desviou o olhar nem transgrediu»[14]

Isto quer dizer que o Profeta (S.A.W.) viu realmente ao Anjo da Revelação, tanto com o olho externo como com o olho do coração, tanto em forma manifestada como em forma interior.

 

A Condição Imaculada dos Profetas

Sexagésimo segundo artigo:

Os níveis de impecabilidade dos profetas.

 

A impecabilidade significa a condição de imaculado, possuindo isto níveis na profecia, a saber:

1- A impecabilidade no referente a receber a revelação e anunciá-la.

2- A impecabilidade com respeito à desobediência e o pecado.

3- A impecabilidade respeito de qualquer erro nos assuntos individuais e sociais.

A impecabilidade dos profetas no primeiro nível é objeto de concordância para todas, já que a possibilidade de erro e confusão neste nível influi na credibilidade da gente, e provoca que não confiem em seus anúncios e palavras, pelo que finalmente se anula o propósito da profecia.
Além disto, o Sagrado Alcorão diz claramente que Deus dispõe ao profeta sob Sua completa proteção e o mantém incólume para que anuncie a revelação divina de uma forma correta; é assim que diz:

«É o Conhecedor do oculto, não manifesta seu segredo a ninguém mais do que àquele de quem se compraz como profeta, que certamente que lhe dispõe uma vigilância (de anjos) por diante e por detrás para saber se anunciaram as mensagens de seu Senhor. Ele abarca tudo o que lhes concerne, e tem computado o número de todas as coisas»[15]

 

Neste versículo o Sagrado Alcorão menciona dois tipos de proteção para manter incólume a revelação:

1- Os anjos que cercam ao profeta desde todo ângulo e aspecto.

2- Deus Mesmo, Quem controla aos anjos e ao profeta.

A causa desta completa vigilância é materializar o propósito da profecia, que é fazer chegar à revelação à humanidade.

 

Sexagésimo terceiro artigo:

A impecabilidade dos profetas respeito de qualquer desobediência ou pecado.

 

Os profetas e mensageiros de Deus são completamente imaculados do pecado e os erros, no referente às normas da shari‘ah. Fundamentam o propósito do envio dos profetas se materializa se estes gozam de tal impecabilidade, já que se não observam as normas divinas que lhes foi encomendado anunciar à gente, não teria confiança em suas palavras, e dessa maneira não se concretizaria o objetivo de seu envio.

O Muhaqqiq At-Tusi assinala este argumento em resumidas palavras da seguinte maneira: “É imprescindível a impecabilidade no profeta para que se consiga a confiança e se atinja o objetivo”.[16]

A impecabilidade dos profetas respeito da desobediência é um assunto enfatizado pelo Sagrado Alcorão em diferentes versículos, algumas das quais citamos a continuação:

1- O Sagrado Alcorão considera aos profetas como pessoas guiadas e eleitas por parte de Deus, Glorificado Seja:

«... E lhes elegemos e lhes guiamos para o caminho reto...»[17]

2- O Sagrado Alcorão nos recorda que aquele a quem Deus guia, não poderá ser desviado por ninguém. Diz:

«Aquele a quem Deus guia não terá quem lhe desvie»[18]

3- Considera a desobediência como extravio:

«Extraviou a muitíssimos de vocês»[19]

Destes versículos inferimos que os profetas são imaculados em respeito de qualquer tipo de extravio, e incólume de qualquer forma de desobediência.
O argumento lógico que expusemos anteriormente sobre a impecabilidade dos profetas, indica também sua impecabilidade antes de seu envio como tais, já que o ser humano que passou parte de sua vida no meio do pecado e a desobediência, se depois hastear a bandeira da guia e a orientação, não lhe será possível conseguir a confiança das pessoas, a diferencia daquele cuja vida decorreu sem ter sido respingado por deslize algum, já que este pode facilmente atrair a confiança da gente. Ademais, em tal caso os denegridores da mensagem divina poderiam facilmente desautorizar ao profeta mediante o fato de teimar em seu passado e dessa maneira manchar sua pessoa e sua mensagem.
Aquele que, por causa de ter podido ter uma vida pura e reta no meio de uma atmosfera corrupta, é chamado “Muhammad O Fiel”, é a única pessoa que, mediante sua elevada e pura personalidade, pode apartar os véus da maliciosa propaganda hostil, desbaratar as pretensões de seus inimigos e opositores à mensagem divina, e ilumina paulatinamente a escura atmosfera da ignorância pré-islâmica mediante seu surpreendente resistência.

Ademais, é evidente que uma pessoa que foi imaculada desde o começo de sua vida, é melhor do que outra em quem se tem manifestado o atributo de imaculada só a partir do momento em que foi designado profeta; assim mesmo, é indubitável que seu papel orientador é bem mais forte, e a sapiência divina implica eleger ao melhor indivíduo e ao mais perfeito.

 

Sexagésimo quarto artigo:

Os profetas são imaculados de qualquer engano.

 

Os profetas, além de sua condição de imaculados do pecado, são assim mesmo imaculados nos seguintes assuntos:

1- Ao julgar nos pleitos e ao solucionar as diferenças. Conquanto o profeta é comissionado para julgar de acordo às evidências apresentadas pelo demandante, ou em base ao juramento de negação do acusado, no caso que a evidencia esteja errada ou se tenha mentido no juramento, a ele não lhe é velada à verdade, apesar de que não lhe é opinado julgar em base a ela por causa dos benefícios sociais de atuar em conformidade aos critérios e regulamentações estipuladas divinamente.

2- Ao determinar os temas das normas religiosas, como por exemplo, no caso de um líquido que não se sabe se é um embriagante ou não.

3- Nas questões cotidianas da vida.

A necessidade de que os profetas sejam imaculados em relação aos assuntos mencionados, surge do fato que se equivocar nestes âmbitos implica o erro no âmbito das normas religiosas, e, portanto, o erro em nestes assuntos vai a detrimento da confiança da gente na pessoa do profeta, e ao final isso menoscaba o propósito do envio dos profetas, conquanto a exigência da infalibilidade nos dois primeiros assuntos é mais óbvia que no último.

 

Sexagésimo quinto princípio:

Os profetas estão isentos das doenças que provocam aversão.

 

Entre os níveis da condição de imaculados dos profetas está o fato de que eles não sejam objeto de assuntos que provoquem a aversão da gente e que lhes afaste dos mesmos. Todos sabemos que algumas enfermidades corporais, ou alguns estados anímicos indicam uma natureza depreciável e uma vil pessoalidade, o qual arca a aversão e o afastamento das pessoas.

É por isso que os profetas devem encontrar-se livres desse tipo de defeitos corporais e psíquicos, já que a aversão da gente se contrapõe com o propósito do envio dos profetas, que é anunciar por seu intermédio às mensagens divinas.

Assim também recordamos que aqui “juízo do intelecto” tem o sentido de descobrir uma realidade, e que neste caso é que, considerando a sapiência de Deus, Ele deve eleger para a profecia a quem se encontre isento deste tipo de defeitos.[20]

 

Sexagésimo sexto artigo:

Um estudo sobre os versículos que indicariam a ausência de infalibilidade.

 

Familiarizamo-nos com o categórico juízo do intelecto e o claro ditame do Sagrado Alcorão com respeito à infalibilidade dos profetas, só que a este respeito existem alguns versículos que em aparência indicariam que alguns profetas cometeram pecado e desobediência, como por exemplo, as relacionadas ao profeta Adão (A.S.) e outros. Que se pode dizer sobre isto?

Primeiramente devemos dizer que, por suposto, desde que não há contradição em absoluto no Sagrado Alcorão, devemos inferir o real significado dos versículos em base aos indícios existentes nas mesmas. É por isso que em estas questões, o aspecto lingüístico superficial não pode constituir o critério para emitir um juízo apressado. Afortunadamente, os grandes teólogo e exegetas alcorânicos da Shi’ah procederam a explicar estes versículos, e inclusive alguns deles têm escrito livros que tratam este tema em forma independente. Desde que a explicação destes versículos implica que sejam tratadas uma por uma, isso escapa a este ensaio, pelo que delegamos aos leitores referir-se aos livros mencionados ao pé da página.[21]

 

Sexagésimo sétimo artigo:

A fonte e causa da Infalibilidade.

 

É possível resumir a fonte da infalibilidade em dois pontos:

1- Desde que os profetas gozam de um amplo conhecimento sobre Deus, Glorificado Seja, nunca mudariam Seu beneplácito por outra coisa. Em outras palavras, a profunda percepção que possuem da grandeza de Deus e dos atributos de perfeição divinos, impede-lhes sentir-se atraídos para outra coisa fora da Verdade Absoluta, e de pensar em outra coisa fora dele. Este nível de conhecimento é esse mesmo destacado por Amir Al-Mu’minin ‘Ali (A.S.) ao dizer:

“Não vi nada sem ter visto a Deus antes que isso, depois disso e junto com isso” [22].

A este respeito disse o Imam As-Sádiq (A.S.): “... em mudança eu lhe adoro por amor a Ele, e essa é a adoração dos dignos”[23].

2- O fato de que os profetas estejam completamente informados dos resultados e frutos da obediência a Deus, e das funestas conseqüências da desobediência, é causa de que se encontrem incólumes de contrariar a ordem divina. Conquanto a infalibilidade absoluta é privativa de um grupo em particular de pessoas benditas por Deus, é possível que alguns crentes piedosos se vejam isentos de cometer desobediência em grande parte de seus atos, de maneira que o indivíduo temente de Deus, por exemplo, não proceda a cometer suicídio ou a matar a um inocente [24]. Incluindo algumas pessoas comuns estão incólumes da perpetuação de algumas faltas, a modo de exemplo, nenhuma pessoa em seu são juízo procede a tocar um cabo descascado de eletricidade pelo qual está circulando a corrente elétrica. É evidente que a incolumidade em casos como este, surge do conhecimento categórico do resultado de cometer esse erro. Se um conhecimento tal fora alcançado pela pessoa no discernimento às perigosas conseqüências dos pecados, isso seguramente ocasionaria que a pessoa estivesse incólume de perpetuar os pecados.

 

Sexagésimo oitavo princípio:

Não há incompatibilidade entre a infalibilidade e a livre eleição.

 

Considerando a fonte da Infalibilidade, recordamos que esta não é incompatível com a livre escolha e vontade do imaculado, senão que a pessoa imaculada, com o conhecimento completo que possui de Deus e dos efeitos da obediência e a desobediência, é-lhe possível cometer desobediência, apesar de não utilizar nunca esse poder; é semelhante ao caso de um pai terno que tem a capacidade de matar a seu próprio filho, mas que jamais chega a fazer isso.

Um exemplo mais claro é o fato de do que de Deus não surge nenhuma ação improcedente, e conquanto tem o poder absoluto para introduzir aos benfeitores e obedientes no inferno, ou de introduzir os desobedientes no paraíso, Sua Justiça e Prudência lhe impedem de realizar isso.

Com esta explicação fica em claro que deixar de lado a desobediência e fixar à obediência a Deus e a Sua adoração conforma dois grandes orgulhos para os profetas, já que eles apesar de ter o poder para não atuar em base à obediência e de perpetuar atos de desobediência, não o fazem por própria vontade e arbítrio.

 

Sexagésimo nono princípio:

A condição de imaculado não necessariamente implica ser profeta.

 

Ao mesmo tempo em que nós acreditamos em a condição de imaculados de todos os profetas divinos, não sustentamos que necessariamente uma pessoa infalível deva ser profeta, já que é possível que uma pessoa seja imaculada, mas não seja profeta. Eis que o Sagrado Alcorão diz o seguinte com respeito à Maria (A.S.):

«Oh Maria! Allah te elegeu e purificou, e te preferiu a todas as mulheres da Humanidade» [25].

Desde que o Sagrado Alcorão utiliza a expressão “elegeu”, fica claro que ela era imaculada, já que o mesmo termo é utilizado com respeito aos profetas:

«Por verdadeiro que Deus elegeu a Adão, Noé, à família de Abraão, e à família de Imrán ‘por sobre os seres do universo». [26]

Ademais, no versículo mencionado se fala sobre a purificação de Maria (A.S.), e isso se refere à purificação com respeito a qualquer tipo de impureza e desobediência, e não somente se propõe negar aquilo com o que a acusaram os judeus por causa do nascimento de Jesus (A.S.), já que a exoneração de Maria respeito de tal pecado foi demonstrada nos primeiros dias do nascimento de Jesus (A.S.), ao falar o menino no berço, pelo que não teria novamente necessidade disso.

Assim mesmo, o contexto do versículo da purificação de Maria (A.S.), indica que se refere à época em que Maria se encontrava enclausurada no templo, quando ainda não tinha a Jesus em suas entranhas, pelo que ainda não tinha surgido acusação que tivesse que refutar mediante o atributo de “purificação”.

 

Notas:

[1]Surata Al-Mulk; 67: 14.
[2]Surata An-Nahl; 16: 36.
[3]Nahjul Balagha, dissertação Nº 147.
[4] Surata Al-Júmu‘a; 62: 2.
[5] Surata Al-Hadid; 57: 25.
[6] Surata Al-Bácara; 2: 213.
[7] Surata An-Nissá’; 4: 165.
[8] Surata Ál Imran; 3: 37.
[9] Surata An-Naml; 27: 40.
[10] Surata Ach-Chu‘Ará; 26: 193-194.
[11] Surata Al-Bácara; 2: 3.
12] Al-Wahii Al-Mohammad (A Revelação de Mohammad), pelo Seiied Mohammad Rashid Ridá, p.66.
[13] Surata Al-Anbiyá; 21: 5.
[14] SurataAn-Najm; 53: 11 y 17.
15] Surata Al-Jinn;  72: 26-28.
[16] Kashf Al-Murád fi Sharh Tayrid Al-I‘tiqád, p. 217.
[17] Surata Al-An‘Am; 6: 87.
[18] SurataAz-Zúmar; 39: 37.
[19] Surata Yá Sin; 36: 62.
[20] O juízo do intelecto neste caso categórico, é por isso que algumas narrações que se referem ao Profeta Job (Aiiub) (A.S.) e o fato de que ele foi perturbado com doenças que causam aversão, bem como contrariar a opinião categórica do intelecto, também contradizem outras narrativas, a este respeito do Imames da Ahl-ul Bait (A.S.).

O Imam As-Sádiq (A.S.) narrou: “Por verdadeiro que Aiiub (A.S.), apesar de tudo aquilo com o que foi afligido, não provocava fedor, nem e afetou sua imagem, nem aflorou pus nem sangue de seu corpo, nem se sentia repelido ninguém que lhe observava, nem ninguém que lhe via se espantava dele, nem se apodreceu nenhuma parte de seu corpo. É bem como Deus, Imponente e Majestoso, procede com todo aquele que prova com a aflição de entre Seus profetas e distintos santos; e se a gente se afastou dele foi por sua pobreza, pela debilidade de seu aspecto, e por ignorar sua posição ante Deus, Elevada seja Sua menção” (Al-Jisál, t.1, Os sete capítulos, Hadiz nº 107). É assim que as narrações que contrariam esta questão, não têm base e são recusadas.
[21] Tanzih Al-Anbiiá’ del Saiied Al-Murtadá. ‘Ismat Al-Anbiiá’ de Al-Fajr Ar-Rázi. Mafáhim Alcorão do Shaij Ja‘far Subháni, cap.: A Infalibilidade dos profetas.
[22] Bihár Al-Anwár, t.70, p.22.
[23] Ibid; t.70, p.18, Hadiz 9.
[24] Disse o Imam Ali Ibn Abi Talib (A.S.) em referência a este grupo: “Eles são, com respeito ao Paraíso, como quem realmente o está vendo e se encontra gozando no mesmo; e são, com respeito ao Fogo, como quem realmente o está vendo e se encontra no mesmo sendo castigado” (Nahjul Balagha, Dissertação Nº 193, a qual foi pronunciada a pedido de seu colega Hamám).
[25] Surata Ál Imran; 3: 42.
[26] Surata Ál Imran; 3: 33.

 

Texto traduzido do livro
La Doctrina Del Islam Shi’ah
A luz de lãs Enseñanzas de Ahl-ul-Bait
(com ellos sea la paz)
Aiatul-lah  Ya’far Subhânî


 

 

 
ZuMoharram de 1439





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